Tuesday, December 31, 2013

PARQUE DAS NAÇÕES - VALEU BEM O QUE CUSTOU!



 A zona oriental de Lisboa, anos antes da Expo 98, era uma zona industrial degradada, com lixo a montes, contentores escaqueirados, fábricas arruinadas, uma lixeira à moda antiga.

No limite norte, uma ribeira moribunda super poluída, o Trancão, não destoava da desolação dominante.

A decisão de candidatar Portugal (Lisboa, melhor dizendo) à realização da última feira mundial do século (há quem se ponha em bicos de pés e lhe chame universal - não foi, foi mundial) e a aposta forte em consegui-lo pode ter sido (e foi) polémica, a gestão dos dinheiros públicos, conseguida a escolha de Lisboa para realizar a Expo 98, foi polémica e não isenta de "casos" mais ou menos suspeitos. A distribuição de tachos, prebendas e sinecuras pelos amigos do Centrão foi quase um escândalo!

Mas a verdade verdadinha é que sem a Expo era mais que certo e seguro que não teríamos tido a ponte Vasco da Gama, não teríamos tido o combóio na 25 de Abril (previsto desde o início - até o túnel na margem sul estava feito...) e não teríamos a cidade nova, bela e verde, "amiga do rio", que temos agora.

Por mim (que não abichei um tusto com o negócio - mas tenho pena!), valeu a pena! 








É pena os vulcões já não "explodirem" em jatos vigorosos, de tempos a tempos, mas a poupança de energia impõe-se...





























Monday, December 30, 2013

SOLIDARIEDADE GERACIONAL E GUERRA AOS VELHOS?!!!!!



João Cravinho, um cromo de tomo na iconografia do PS, começa assim, como mostra a figura que junto, a sua coluna no Público de hoje, sobre o tema em título.

Fico perfeitamente panco como muito boa gente só parece pensar com os bolsos (ou com a bolsa) parecendo perfeitamente incapazes de produzir um pensamento que, por coincidência ou acaso, não coincida com os seus interesses - ou da sua bolsa.

Para desgraça minha (mas para meu descanso espiritual...) muito do que eu penso vai direitinho contra os meus interesses (ou os da minha bolsa). Deve ser eu que sou mazoquista...

É que eu acho que pertenço a uma geração que viveu de empréstimos (não pessoalmente mas como membro da sociedade) beneficiou de saúde, educação, auto estradas, estc, etc, etc, à borla ou quase e que, estando à beira dos 64 anos e a uns aninhos da reforma não imagina por que carga de água deve ser a geração do meu filho a arcar com a minha reforma a um nível perfeitamente irreal, muito superior ao que a suposta capitalização dos meus descontos proporcionaria.

Eu penso - contra mim o penso - que como reformado deverei continuar a contribuir para a recuperação das contas públicas, entre outras razões porque foi precisamente a minha geração que levou às ruas da amargura (e não a geração do meu filho).

Deixando-me de punhos de renda, é engraçado verificar que um cabrão como o Cravinho que beneficiou à grande e à francesa (muito mais do que eu) do descontrolo das contas públicas venha agora reivindicar que sejam as gerações seguintes que lhe paguem a choruda pensão e que esta seja intocada, que seja isento do esforço de recuperação das finanças públicas!

Que GRANDECÍSSIMO FILHO DE PUTA!!!!!!!

Sunday, December 29, 2013

CENTRO KULTURAL DO EX-CINEMA EUROPA!




A Junta de Freguesia de Campo de Ourique vai, finalmente, começar a tratar do futuro mini-centro kultural que funcionará (funcionará?!) no rés do chão do edifício contruído onde existiu o mamarracho do cinema Europa.

Com a alteração radical do perfil dos consumidores de cinema, consolidada nos anos 80 do século passado, o Europa, como todas as grandes salas de cinema, deixou de ser rentável mas os proprietários foram, desde logo, impedidos de ali construir outro edifício que o PDM permitisse e que lhes desse o rendimento a que (graças ao fim do PREC!) tinham todo o direito a aspirar. Só que os "moradores" nunca o permitiram pois, para eles, o edifício estava mesmo a pedir a reconversão em "espaço kultural" ao serviço das massas. 

Escrevo moradores entre aspas porque os ditos nunca tiveram oportunidade de manifestar o que querem ou deixam de querer, porque cá na Portuga os referendos são uma coisa muito complicada e cara que não se pode "lançar" por dá cá aquele centro kultural. O legislador considera-nos atrasados mentais profundos e não permite duas eleições e um referendo ao mesmo tempo: uma coisa de cada vez! Imaginam a confusão nas nossas cabecinhas se tivessemos, num único ato, que escolher o PR, os deputados para a Europa e a côr da fachada a Assembleia da República!  

E assim, em vez dos moradores, quem se manifesta (e cuja opinião é aceite!!!) são grupinhos de amigos, correlegionários e afins, sempre em nome das amplas massas compod'ouriquenses...


Finalmente, depois de décadas de marasmo, prevaleceu a razão (e o direito!) e os proprietários viram reconhecida a legitimidade para demolir o monstro e contruir outra coisa em seu lugar. 

Mas não sem terem que reservar um piso para instalação de um mini "centro kultural" que custou à autarquia mais de um milhão de euros. Na figura ao lado, o Europa está no vértice das duas linhas amarelas.

Agora vamos ter dois anos de preparação (talvez cinco seja mais realista...) e de despesas e lá para 2020 (a Junta diz que será em 2015...) teremos uma "estrutura" ao serviço dos moradores "posto de trabalho" de dois ou três (ou mais) zelosos funcionários públicos.

Resta saber se os ditos moradores não caberiam na casa Fernando Pessoa, a pouco mais de 300 metros em linha reta (figura à direita da linha de cima), ou se, ainda por cima, vai continuar a teimosia pela implantação de outro "espaço kultural" no defunto e arruinado cinema Paris, a menos de 500 m do Europa, que a CML comprou há uns bons 10 ou 15 anos para o efeito (à direita da linha de baixo).

Assim são (mal) geridos os dinheiros públicos!


Friday, December 27, 2013

JAIME QUESADO, QUE ZADO!!!



  • Não sei se já tinham reparado na existência deste verdadeiro cromo, especialista em estratégia, competitividade, inovação e matérias afins.
Usa uma redação redonda e cheia de "sustância" que, bem espremida, dá tudo o que quisermos que dê.
O homem tem solução para o País - e esta, hã?!
Sem vos fazer perder muito tempo, mirem só os desafios para 2014, "eixos estratégicos", como o cromo lhes chama:


1. O desafio da inclusão social;
2. O desafio da nova competitividade;
3. O desafio da excelência territorial;
4. O desafio da dimensão cultural;
5. O desafio da maioridade cívica;

Este homem é um verdadeiro bloqueiro - sabem o que é? Só precisa de uma bacia com água e uns blocos de qualquer coisa pesada (cimento, por exemplo).Vai deitando os blocos na bacia e eles, ao cair, fazem:

BLOC! BLOC! BLOC!

E (suponho) resolve-se qualquer problema sem esforço e sem sair de casa...

Sunday, December 22, 2013

NOVOS DEPUTADOS DO PCP, BE E "OS VERDES"



A bem da economia, os partidos da esquerda empenhada vão substituir os seus deputados por papagaios, a quem ensinaram a dizer simplesmente:

"Demissão! Demissão! Demissão!"

Jerónimo de Sousa explicou: 

- Os novos camaradas deputados ficam muito mais baratos e cumprem cabalmente com a sua missão.

(o "com" é dele, não é meu)

Sunday, November 24, 2013

SOBRINHO CIENTISTA - NOT IN MY BACKYARD!!!

Para um cientista, Sobrinho Simões usa palavras e faz afirmações com muito pouco rigor científico - ou com muito pouco rigor, tout court.

A entrevista com que resolveu "aparecer" é, em tudo, o tradicional grito de cortem em tudo menos na minha atividade que é importantíssima.

Ou, simplesmente, not in my backyard...

NA PRAIA DA AMOREIRA

 
Do lado do restaurante Gabriel II - sem acesso à praia, cortado pelo rio que corre encostado a este extremo da enseada.
 

Para aceder à praia, com um restaurante/snack/esplanada, o Paraíso do Mar, do lado norte, oposto àquele em que estou, temos que voltar a Aljezur, seguir como se fossemos para Lisboa; logo à saída da cidade encontramos um desvio para a esquerda assinalando "Amoreira".
 
São uns quilómetros de estrada de terra batida, mas não tem nada que enganar. A praia é limitada a sul pelo rio (que se vê na foto inicial) e a norte por falésias escuras (granito? basalto?) que "aparecem" em vários afloramentos do lado norte da praia.
 
Deixo-vos aqui algumas das fotos que tirei e que dão uma ideia de como é a praia.
 
 
 
 
 
 

CARLOS DO CARMO, GRANDE REVOLUCIONÁRIO!!!

CARLOS DO CARMO VIVE TÃO BEM HOJE COMO VIVIA ANTES DO 25 DE ABRIL...
 
O afã de reunir as caras conhecidas de famosos artistas em eventos de apoio a políticos e partidos dá, muitas vezes, para o torto.
 
Carlos do Carmo, grande cantor ansioso por agradar ao semi Deus da Esquerda, o caquético Mário Soares, declarava alegremente que nos tempos de hoje se sente como se os tempos de antes do 25 de Abril estivessem a voltar (qualquer coisa assim). Foi, naturalmente muito aplaudido e deve ter-se sentido enorme, junto dos "seus".
 
Bem, a verdade é que o fadista antes do 25 de Abril não agitava nem um arzinho que lhe pudesse levantar qualquer problema, para poder levar a sua carreira direitinha e em sentido ascendente, com Salazar ou com Caetano (ou com Spínola ou ... com quem quer que viesse).
 
Depois do 25 de Abril, rapidamente fez saber que era desde sempre simpatizante da esquerda, não fosse alguém metê-lo nalguma das listas negras que proliferaram durante o "reinado" do PCP e militares "revolucionários".
 
É claro que a situação de Carlos do Carmo é hoje semelhante à dos tempos da outra senhora: hoje pode dizer o que quer, antes do 25 de Abril dizia o que se podia dizer e até o que "caía bem". Em ambos os casos ninguem o chateava.
 
Se estes bardamerdas se limitassem a cantar o fado, evitavam fazer destas figuras tristes de que eles (suspeito...) nem sequer se apercebem.

CAVACO E A CONSTITUIÇÃO



Para os que se babaram de excitação com as acusações que o decrépito Soares dirigiu a Cavaco sobre desrespeito pela Constituição, recomendo a leitura do que diz sobre o assunto o Ricardo Costa, mano do Costa da CML e membro do "grupo".

Saturday, November 16, 2013

VIVA ANGOLA!!!

 
 
Parabéns aos angolanos que comemoram hoje a declaração da independência de Angola, há 38 anos.
 
Felicidades, sucesso, saúde, bem estar para todos.
 
Quem diria que um País que passou por duas guerras sucessivas, uma contra o ex...ército colonial, outra, guerra civil, mais longa, mais dura, mais destruidora e que mais marcou a sociedade angolana, quem diria que ao fim de dez escassos anos de paz Angola esteja pujante, progressiva, com uma economia em plena expansão e uma sociedade civil viva, criativa, crítica e atuante?!
 
As diferenças sociais são enormes, claro que são; mas em Portugal e no Brasil - países irmãos - são, por acaso, menores?
 
Há corrupção e fortunas construídas em cima de nada, claro que há. Mas como transformar um país em que, num momento tudo é do colono, depois em que tudo é do Estado, numa economia com base na iniciativa privada? Recordo que se se fosse vender as empresas a quem desse mais, ficava tudo em mãos estrangeiras...
 
Angola está no bom caminho, continua a ser um sítio onde se pode viver, trabalhar, farrar, ir à praia e à pesca, estudar, progredir, fazer negócios...
 
O resto é conversa. (muitas vezes conversa de retornado ressabiado).

AS MULHERES NA "PRIMAVERA ÁRABE"

 
Com as sucessivas "primaveras" os estados islâmicos perderam em estabilidade, em direitos, em algum bem estar que iam tendo. Com as receitas do turismo a caírem a pique e a anarquia instalada, o retrocesso ...civilizacional é uma triste realidade.
 
O Islão, por intermédio da irmandades muçulmanas, fica no terreno como única força organizada. Para as mulheres a situação torna-se dramática - o Islão menoriza-as e põe-nas à mercê da padralhada e dos "homens da família", sem quaisquer direitos ou com direitos, muito, muito reduzidos.
 
Felizmente, para nós, a nossa padralhada já não risca a ponta de um corno há umas largas décadas.
 
Mas nunca fiando - não os podemos deixar pôr o pé em ramo verde...
 

OS PAPAGAIOS E MANUEL LOFF (BRILHANTE HISTORIADOR NEO REALISTA...)


Manuel Loff, na coluna em que quinzenalmente debita loas ao komunismo e atira petardos aos horrorosos neo liberais, escreve hoje sobre o kamarada Álvaro e a sua independência da ortodoxia soviética, que só um papagaio não vê.

Digo eu, à guisa de comentário:

o Loff é burro, currupaaaaaaco!!! 

O COLÉGIO MILITAR, A VIOLÊNCIA GRATUITA E A FALTA DE VERGONHA



O antigo comandante do Colégio Militar (CM), ao tempo da chapada que rebentou o tímpano ao miúdo que a apanhou (e 5 dias de detenção ao heróico alarve que a aplicou), o senhor Major General (Excelência!) considera o agressor um tipo com muita coragem por ter continuado no CM e até lhe deu os parabéns pelos bons resultados académicos, para lhe levantar o moral. Muito bondoso, meu Major General, Excelência!
 
O Senhor Major General (Excelência!) achava que com os 5 dias de detenção a coisa ficava por aí - do tímpano rebentado não nos diz se ficou por aí (rebentado) ou não.
 
É a estas pessoas tão honradas e virtuosas (aos comandantes, oficiais, aos alunos mais velhos e à organização tentacular, cobarde e mafiosa que é a praxe) é a essa sub-gente tão fina que os pais entregam os putos quando os sujeitam ao "internato militar".
 
Como é que um cavalheiro deste calibre (senhor Major General, Excelência!) tem lata para vir defender um cabrão que trata os putos à chapada-de-rebentar-tímpano, escudando-se no maior tamanho, na maior força e no poder absoluto que lhe dá a praxe em internato?!
 
A Honra, a Moral e a Ética desta gente fardada é isto. E pouco mais, muito pouco mais que isto...

Sunday, July 28, 2013

DEUS É BRANCO?

Deixo-vos aqui um texto do angolano Isomar Gomes com reflexões sobre o colonialismo, os colonos, os brancos, os pretos. Interessante conhecer o ponto de vista de um angolano e um angolano preto - assim se assume palavras equívocas.


DEUS É BRANCO?

por Isomar Pedro Gomes - África

Diria mais, de um Benguelense a residir nesta cidade e com excelentes artigos, que merecem ser acompanhados no FACEBOOK.

"Há dias, a caminho do Hojy-yá-Henda, a bordo (como habitual) de um dos machimbombos da TCUL Viana vila - Cuca, (privilegio este meio de transporte por ser o mais barato e acessível aos pobres para rotas longas, mau grado a 'sardinhada e a catingada'), um dos vários azulinhos que 'palmilham' as nossas estradas, os nossos emblemáticos táxis colectivos, chamou a atenção do público, exibindo no seu 'traseiro' o seguinte dístico; DEUS É BRANCO, MULATO É ANJO, PRETO É DIABO.

 Tal dístico, é obvio, levantou as mais diversas celeumas entre os passageiros do machimbombo e creio entre todos os 'observadores' e transeuntes por onde o dito azulinho (mini mbombó) 'rasgava' o seu 'popó-show'.

Raciocinei com os meus botões e os meus botões comigo, as causas que levaram o proprietário do 'popó' ou do 'chauffeur de praça' a mencionar e exibir tal 'desgraçado ou ditoso (?!)' rótulo. Na busca mental das 'causas', não pude deixar de comparar o modo de vida de hoje e o da administração colonial, quando o País e a grossa maioria dos países do continente Africano, era administrado por indivíduos maioritariamente de raça branca, provenientes da Europa, "os tais colonos", poderia África ser comparada a um paraíso? Há quem diga que sim, e eu não discordo dele!
"Colonialismo caiu na lama!" Lembram-se deste célebre estribilho 1974-1977?

 A JÓIA COLONIAL
Angola era mundialmente conhecida como a Jóia do império Português e exibia majestosa, todos os pergaminhos de tal título, o Quénia a par da África do Sul, a joia Africana do império Britânico, Algéria a jóia Africana do império Francês e o antigo Congo-Belga a joia do mini-imperio Belga.
Tais países Africanos - no contexto do outrora - prosperavam a olhos vistos (a maioria deles encontravam-se ainda na idade da pedra), as respectiva comunidades autóctones idem em aspas, os índices de desenvolvimento humano dos autóctones inegavelmente estavam lenta e seguramente subindo, as obras dos colonialistas ainda perduram pela África adentro.
Verdade seja dita, o esclavagismo e as guerras de "kwata-kwata" fizeram irremediáveis estragos em África. Mas também não é menos verdade, que a falta de unidade, ambição, irresponsável individualismo e a sempre necessidade de estúpida e insanamente guerrearem, fazerem verter sangue (entre nós Africanos), tornaram bem-vinda "la pax romana" isto é promulgado a força do chicote e da bala, pelos Europeus.
As então gerações de jovens africanos instruídos (pelas respectivas franjas ou instituições da administração colonial), organizaram-se politicamente e fizeram soar a acusação de que os Europeus estavam a sugar as riquezas do solo pátrio em benefício exclusivo das nações colonizadoras, desconsiderando totalmente os interesses dos nativos e das colónias, transformando os autóctones em miseráveis na sua própria terra; "eles vieram com a Bíblia, nós tínhamos as terras, no fim eles ficaram com as terras e nós com a Bíblia" disse Robert Mugabe, nacionalista e guia da libertação do Zimbabwe.
Organizaram-se contra o invasor, protestos, revoltas, guerras, chacinas, a história regista que o movimento e actuação dos 'mau-mau' liderado pelo indomável Jomo Keniata, foi um dos mais cruéis de África e o que chamou a atenção da comunidade internacional, para a necessidade da urgente descolonização de África. Claro a violência gera violência, os resultados hoje fazem parte da história.
A resposta colonial à violência nacionalista africana, sempre foi comedida, por exemplo, se a força policial Portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, respondesse com o mesmo demonismo com que o MPLA 'respondeu' ao chamado Fraccionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos actuais dirigentes, não existiriam, e provavelmente não haveria movimentos de libertação, durante muito tempo.

O ÊXODO
Passado cerca de meio século, que a maioria dos países Africanos 'arrancaram' na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung), se fizermos o balanço, quais foram os ganhos que os respectivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar.
"Quando é que a independência afinal vai acabar?" - Indagou desesperado/desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigadérrimo da guerra estúpida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água.
Poderia África ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório?
Qualquer um deles serve, Paraíso; NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximarem-se a tal eleição.
"HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabweano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente.
Por exemplo em Angola, quando por vezes nas datas históricas, oiço e vejo pela TV, indivíduos a mencionarem o que o 'colono nos faziam', sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de 'risada', "porque o colono fazia… blá-blá-blá" - dizem eles - hoje faz-se o pior. O colono, se fez, quase que o desculpo, é ou foi colono, é branco não é meu irmão de raça, etc., agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, (ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura) faz o que viva e denodadamente repudiávamos do colono, esta ultima acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.
Por isso, logo após as independências Africanas, verificou-se o segundo êxodo - o primeiro foi dos brancos a abandonarem África - milhões de Africanos, abandonaram com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença a África, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias), seguindo os outrora colonos, porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África, porquê?!

A JUSTIÇA EUROPEIA
Os Europeus, muitos deles depois de chacinados em África pelas revoltas africanas, de regresso aos respectivos países embora destroçados de dor e amargura, receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar e emprego decente e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro.
O contrário era possível? Se ainda hoje, 37 anos depois do fim da colonização, os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda se desculpam com a presença colonial Portuguesa em Angola, para justificar a Pobreza e outros pesares que "estamos com ele" eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (37 anos depois), SIM, estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes Angolanos, ainda estarão a rogar pragas ao colono Português.
HOJE ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de 'preto-para-preto' em muitos países africanos; Incompetência criminosa, bajulação estúpida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro eu - sempre), mentira como regra, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão - a 'Bíblia' citado pelo Morgan Tchavingirai - (inclusive, gritar; "estou com fome" é crime passível de perder a vida.

Kamulingue e Kassule são a prova viva do facto, vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias (horrorosamente infernais) a abarrotar de jovens provenientes das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc.
O paradoxo é, se HOJE em África, usufruímos de um bocadinho de liberdade com sabor a vida, é precisamente graças aos Europeus, isto é aos brancos, que desenvolveram uma nova ordem de conduta internacional e instituições internacionais que vigiam sobre o globo incluindo, obviamente, África.
As sanções internacionais e outras medidas de contenção paira sobre os dirigentes Africanos, e então, estes por sua vez, fingem praticar a democracia, não porque eles gostam da democracia, porque temem o "deus branco e o seu braço punitivo". Porque se dependêssemos totalmente dos governos de "preto-para-preto" seguramente, não seria possível viver, na vasta maioria dos países Africanos.
O protótipo Africano da UE (União Europeia) a chamada UA (União Africana) é uma mentira descabida, a UA é uma instituição falida, decrépita, débil e 'estaladiça' (como a bolacha 'chinesa' de água e sal) que ninguém leva a sério, uns poucos países africanos esforçam-se por dar credibilidade a UA e ao continente, houve até quem propusesse a seguinte designação DUA (DesUnião Africana), por exemplo quando teremos um Tribunal Internacional Africano? Se os tribunais da maioria dos Países membros é do "faz de conta", os Africanos instituíram também uma espécie risível de Parlamento Africano, que ações pratica tal PA já desenvolveu em beneficio dos Africanos?
A UA é um club de "compadres" velhacos ditadores, egoístas que sonham com Paris, Londres, Estocolmo etc, ao mesmo tempo que transformam os respectivos países em autênticos 'buracos negros'. As independências em África foram 'feitas' para algumas centenas de indivíduos africanos, em detrimento de centenas de milhões, cada vez mais miseráveis.
Nunca a Europa 'recebeu' tanta riqueza de África como após a chamada "independência dos Países Africanos", os novos-ricos africanos, apressam-se a 'esconderem' os produtos da sua criminosa delapidação na Europa para o gáudio dos Europeus, contrariando aquilo que eles próprios evocaram e prescreveram na convocação para a luta de libertação nacional.
"Eu ir a Portugal algum dia?.. NUNCA!.. Nem morto!".- (1980 na idade de ouro do partido único) Disse, erguendo o punho direito bem alto em sinal de sacro-juramento, em pleno comício em Benguela, um dos então carismáticos dirigentes da "Revolução Angolana" que prescindo de citar o nome, hoje ele próprio, não só é frequentador assíduo e brioso de Portugal e "empresário português" como também é o orgulhoso presidente de uma agremiação desportiva portuguesa em Angola.
Quase meio século depois, podemos dizer que o IDH dos povos africanos subiu ou regrediu? Somos melhores tratados hoje pelos nossos irmãos dirigentes? Os ideais que nortearam a luta de libertação colonial ainda estão vivos e recomendam-se? Muitos dos nossos jovens usam orgulhosamente tecnologia de ponta os ipod, 'aichatissa' e 'aipad' fazem a banga da juventude, mas o meio que lhes rodeia é nauseabundo e desolador. O Stress agudo e o AVC matam tanto quanto a malária.

FILANTROPOS DA HUMANIDADE
A mais recente iniciativa de alguns dos milionários do planeta, comoveu muita gente. Há algum Africano entre os homens que protagonizaram tal feliz iniciativa? Todos eles (os citados filantropos) são homens que dedicaram a maior parte da sua vida na produção de riqueza, não o 'tiraram' de algum saco azul, nem tão pouco delapidaram o erário público nacional, mas, sentiram-se na necessidade de "repartir com o necessitado" de todo o mundo.
Ontem, os milionários Africanos orgulhavam-se de 'aparecerem' na revista forbes e congéneres, hoje face a iniciativa acima mencionada, publicam como que envergonhados; "não somos milionários" chegam ao ponto alguns de dizerem que o que têm é produto do salário.

ÁFRICA DO SUL
Fiquei arrepiado com as imagens da actuação da polícia Sul-Africana em Dobsonville (será esta a cidade?!) que vitimou o jovem moçambicano Mido Macia (MM), na flor da sua juventude (27 anos). Imagens próprias de uma 'cena' do Faroeste no século XIX ou da era do Drácula no país da Draculândia.
Quando vivi na África do Sul, tinha um medo atroz e justificado da polícia Sul-africana, principalmente dos pretos. A maioria do polícia Sul-africano preto chega a ser muito mais impiedoso e selvático que o mais impiedoso policia Sul-Africano branco. O polícia preto (na sua maioria) é absolutamente xenófobo, perverso, contra a lei, corrupto e desalmado.
O policia branco, estou certo não faria tal coisa, e muito menos os tais policiais pretos fariam isso se MM fosse branco.
A xenofobia na África do Sul, é extremamente incentivada e alimentada pela polícia Sul-africana e é planificada nas esquadras de polícia, um dia hei-de descrever as minhas experiencias com a corporação policial daquele País, que apesar dos pesares amo muito sinceramente.
Fizeram certamente Nelson Mandela, banhar-se em lágrimas. O único Preto que chegou aos patamares dos 'deuses'.

AFINAL QUEM CAIU NA LAMA?
Há em algum país da Europa, a amálgama descriminada e promíscua, esgoto a céu aberto, suja e podre de 'bairros' que vimos e vemos principalmente nas periferias das capitais Africanas (quase todas elas) principalmente dos chamados; País Especial.
Os dirigentes Africanos, nem conseguem combater eficazmente o mosquito, causa do paludismo e malária que dizima há meio século, diariamente milhares de almas (principalmente crianças) pelo continente adentro, as doenças diarreicas (produto da falta de sanidade básica) faz de igual modo uma 'ceifa' aterradora. Doenças que o colono quase já tinha debelado, como a mosca do sono, ameaçam 'engolir' povos inteiros.
Tudo isso acontece perante a pecaminosa insensibilidade de um grupinho de "iluminados africanos"  (abençoados pelas igrejas), que preferem comprar castelos de milhões de Euros na Europa e em orgias depravadas (preferem dar de comer os cães), do que ajudar os seus irmãos, que não lhes pede mais do que apenas: BOA GOVERNAÇÃO. Gerirem o erário público para o bem de TODOS e da nação.
 
E há quem tem ainda o desplante de vir a público protagonizar uma perversa peça teatral, choramingando; "O colono blá-blá-blá"…
Quanto ao anjo, prefiro não comentar. Deus é Branco? Até posso aceitar, porém de uma coisa estou certo, preto, é que não é de certeza ABSOLUTA!"

Sunday, June 23, 2013

A GREVE AO JORNALISMO, POR MIGUEL SOUSA TAVARES - IMPERDÍVEL!!!

Será que me estou a tornar fã do Miguel Sousa Tavares?! Huuuummmm, não é o caso, mas...
 
Mas a verdade é que de vez em quando o enfant terrible do nosso jornalismo sai do seu estilo bota abaixo e arrasa pessegueiro habituais e chama a nossa atenção para coisas tão simples como a greve do Público ao jornalismo, convertido em câmara de eco da CGTP e da FENPROF - convencido, certamente, de que isso é que vende o jornal.
 
Nesta crónica semanal, no Expresso de ontem, MST refere ainda o Diário de Notícias que publica notícias sobre dois "estudos" tão parciais quanto desonestos, um do Observatório dos sistemas de saúde, outro do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra - ambos proclamam desgraças e catástrofe nos "sistemas" que observam e estudam. Por sinal as parangonas escolhidas pelo DN são ainda mais catastrofistas que o texto que encimam...
 
MST só se squece de referir que o Observatório é o posto de observação do socialista Constantino Sakellarides e o Centro coimbrão é o posto de luta e de combate do "meu" génio da parvónia, o Prof Doutor Boaventura Sousa Santos. Está tudo dito...
 
Vá por mim, leia tudo até ao fim, é só clicar na imagem.

Saturday, June 22, 2013

OS TRÊS E OS OVNIS...


Em pleno verão de 1973, estava eu em Mafra a curtir uma de balda, quando o meu colega Zé Pedro me convidou para uma expedição à Figueira e à Luz (de Lagos, não confundir com a Luz de Tavira).

O objectivo da expedição era observar umas luzes estranhas detectadas na serra algarvia, num vale perto da Figueira, especialmente activas naquela época do ano. Os entendidos na matéria consideravam altamente provável a existência de uma base de OVNIS, subterrânea, cuja entrada se fazia por uma abertura dissimulada na encosta do vale.

A passagem pela Luz (para além de permitir beber uns copos, pois já in illo tempore os bares abundavam naquela estância balnear) prendia-se com a tentativa de detectar tipos esquisitos, com olhar penetrante e estranho (não sabíamos mais do que isso) que, aventavam os entendidos na então incipiente ciência da ovnilogia, seriam extra terrestres convenientemente dissimulados. Esperava-se que nós, tipos argutos e perspicazes, conseguiríamos distinguir o extra terrestre no meio de tanto bife que pululava na zona e que, pouco antes, tinha até tido o topete de fazer hastear a bandeira de Sua Majestade Britânica.
 

- Ó Zé Pedro, então a malta vai p'ra Luz e põe-se a cocar gajos? Isso pode ter uma interpretação lixada! queixei-me eu.

- A gente tem que dissimular, pá! foi a resposta.

- Precisamente, precisamente... respinguei eu, um bocado à rasca.

Eu e o Zé Pedro éramos colegas de curso no Técnico, mas de ramos diferentes: ele mais para as caldeiras e coisas assim, eu mais para as chapas, rebites e parafusos. Tínhamo-nos conhecido melhor porque colaborávamos ambos com o Prof Varela Cid (foto ao lado), o tal que jurou a pés juntos que o Sputnik não andava nada à volta da Terra (a verdade era só uma: rádio Moscovo não falava verdade!) e demons-trou-o por A + B. Daí a minha desconfian-ça quando me dizem "está cientificamente provado que..."

Claro que o velhote ficou desacreditado e daí até ao fim da vida andou em bus-ca de projectos que lhe limpassem o nome.

Nessa altura, com a colaboração de um grupo de manos, entre eles eu e o Zé Pedro, andava a projectar um foguetão para levar uma cápsula às altas camadas da atmosfera, medir a temperatura do ar, a pressão e coisas assim.

O foguetão nunca foi construído, mas o projecto foi exposto na FIL e fomos passear a uma base de foguetões em Espanha, p'ra vermos o que os nuestros hermanos andavam a tramar (claro que o nosso foguetão iria voar mais alto, era uma coisa a sério...).

Bem, voltando aos OVNIS, faltava-nos um meio de transporte para nos deslocarmos e transportar o equipamento: uns binóculos velhos, uma Yashica já muito rodada, umas lanternas, um embrulho que sempre acreditei ser uma tenda, e pouco mais; ah! claro: bancos de lona que nisto de OVNIS convém esperar sentado.

O Zé Pedro conseguiu o concurso de uma amiga, que tinha um namorado ciumento e um Fiat 600 (tinha que ser!). Aquele figurante não chegou a aparecer mas quando, às 5 da manhã, nos aprestávamos para iniciar a viagem, eis que o carro não pegou. Depois de muito empurrar, constatámos que o rotor do distribuidor (uma coisa do arco da velha que já não se usa) estava em falta. Tinha sido a tenebrosa criatura que o tirara para segurar a namorada em Lisboa.

Descoberta a avaria do Fiat 600, a Manela (assim se chamava a amiga do Zé Pedro) ficou interdita, sem saber se era melhor ficar para não ter chatices com o namorado ciumento se partir (partir, só depois das 8h30 e de apanharmos alguma oficina com um rotor de reserva, do calibre do distribuidor da viatura).

E foi o que aconteceu. Abancámos no primeiro café cujo tasqueiro, sonolento e remeloso, abriu as portas, tomámos umas bicas, revimos os planos da expedição e lá para as nove e tal, já com o carrinho arranjado, fizemo-nos à estrada.

Claro que, com aquele atraso todo e sem os estradões de hoje, só chegámos ao Algarve ao fim da tarde: as estradas eram más, o Fiat 600 andava devagarinho e o almoço em Sines era, naquele tempo, um must, incontornável. Ainda por cima, ao passarmos a serra algarvia, aí para os lados das curvinhas de Odeceixe, demos com um desastre (não entro em pormenores, mas o sinistrado, um médico, estava calmo e palavroso, mas em estado lastimoso). Resultado, a Manela fartou-se de vomitar e tivemos que esperar uma meia horita para ela se recompor e voltar para o volante (nem eu nem o Zé Pedro tínhamos carta, portanto...).

Passámos por Lagos e fomos directos para a Figueira, onde, depois de muito escolher o local (não tínhamos mapa com os locais suspeitos assinalados) lá arranjámos um sítio ermo, que nos pareceu propício. A Manela ferrou-se a dormir (toda torcida dentro do Fiat 600, o que era indício de muito, muito sono) e eu e o Zé Pedro montamos guarda aos OVNIS.

Lá para as três da matina, sem termos visto nada, mudámos de sítio (foi difícil acordar a Manela, mas lá conseguimos) e fomos para a barragem da Bravura, seguindo um desvio à estrada Lagos - Portimão, que parte de Odeáxere. Aí estivemos até de manhã, vimos alguns clarões (clarinhos, melhor dizendo), mas todos no chão e que pareciam mais cigarros a ser acesos do que OVNIS.

Apanhei uma valente constipação mas, mesmo assim, no dia seguinte (depois de uma soneca em casa dos meus pais, que um homem não é de ferro) ainda fomos a dois bares na Luz, mas de extraterrestres, nada.

A Manela ainda foi abordada por um galã local, mas, à parte isso, não nos pareceu haver tipos com pinta de extraterrestre. Como se lembram, eu não queria passar por fresco, de modo que me limitei a ir bebendo umas aguardentes velhas que não me curaram a constipação, mas quase me deixaram KO.

De volta a Lisboa, o Zé Pedro ainda me desafiou para outras expedições mas, por estranho que pareça, calhavam sempre em dias em que eu tinha algumas actividades inadiáveis e nunca mais alinhei.
 
.     .     .     .     .     .     .     .     .     .     .     .     .

Epílogo:

A Manela acabou por se casar com o namorado ciumento (que passou a marido muito ciumento...) e o Zé Pedro continuou, enquanto mantive contacto com ele, a observar o céu à cata de OVNIS. O Prof Varela Cid nunca conseguiu limpar o nome e será lembrado como o homem que provou que o Sputnik não podia estar a orbitar a Terra...

Thursday, June 20, 2013

Chico e caetano - todo o dia...

Vaejamos se, depois tanto tempo ainda consigo por aqui uma musiquinha...

http://www.youtube.com/watch?v=2-RlQM1u0_c

Sunday, March 03, 2013

O PUBLICO, A MANIF E A DESONESTIDADE INTELECTUAL

Desde que José Manuel Fernandes deixou a direção do Público e foi substituído por uma tal (deixem-me ver, para não errar) Bárbara Reis (quem?) duas coisas nos editoriais passaram a incomodar-me.
 
- Uma, permanentemente, é o facto de os editoriais terem deixado de ser assinados. Já sei que isso quer dizer que a responsabilidade é do jornal, ou da redação, ou da direção, mas isso deixa-nos sem saber o que a diretora pensa, ela ou quem fez um determinado editorial - isso de criação coletiva, desculpem-me lá, mas tem muito que se lhe diga...
 
- Outra, esporádica mas (parece-me) cada vez mais frequente, é a utilização de afirmações duvidosas ou polémicas como se fossem verdades comprovadas que o leitor pode aceitar como boas ("li no Público, portanto...").
 
No editorial de hoje, a/o/os editorialistas avançam um método original de aferição da crise: olhar para os 50 m em volta do leitor (da sua residência e, presumo do seu local de trabalho), para o que se passa com familiares, amigos e conhecidos e tirar o retrato à crise.
 
Até aqui, tudo bem, como método de recolha de dados - com a possível "chatice" das inevitáveis sobreposições, mas válido como método para cada um definir o grau de afetação pela crise.
 
A parte desonesta é que o editorial dá imediatamente a resposta com um quadro mais que negro de fecho de cafés, padarias, empresas familiares e por aí fora sem (suspeito) ter feito qualquer pesquisa, qualquer recolha de dados, sem se basear em quaisquer inquéritos (e venha o diabo e me fulmine se não é assim...).
 
É verdade que eu não vivo propriamente numa zona degradada, mas em Telheiras, mesmo alargando o raio de 50 para 200 metros ou mais, nos últimos 4 ou 5 anos, salvo raras exceções, para cada loja que fechou outra abriu no seu lugar. As exceções verificaram-se quase todas no interior ajardinado de uma urbanização "de qualidade" onde desde o início a falta de clientes - o local é muito recôndito, muito fora de mão - afetou todos os estabelecimentos que aí se instalaram e algumas lojas, incluindo uma grande esplanada, nem chegaram a abrir. O Chilli's, um bloco com um restaurante, esplanadas e café, foi, parece-me, o único que fechou as suas portas há dois ou três meses, na sequência direta da crise.
 
Na zona onde trabalho, Figo Maduro, a situação é de clara expansão dos negócios. Há 4 ou 5 anos havia muitos armazéns devolutos, hoje estão, na quase totalidade, ocupados por empresas, algumas ainda em instalação (como é o caso de uma televisão brasileira) a maioria em funcionamento. Algumas empresas mudaram-se para outras instalações sendo imediatamente ocupadas as que deixaram. Consequentemente, na rua das tascas, das 5 ou 6 que havia há uns anos, 5 ou 6 continuam a operar - bem e recomendam-se.
 
Na minha área de atividade, transporte aéreo, a generalidade das empresas está a "meter pessoal" e os movimentos de pessoal têm que ver com a saída para outras empresas (inclusive no estrangeiro) e não com despedimentos, não renovação de contratos, etc.
 
Não estou a tentar generalizar esta situação, mas a contrapor factos à generalização simplista (e demagógica) do Público: de facto há sectores da nossa economia pesadamente afetados pela crise (a constução civil e imobiliário, por exemplo), outros menos e outros em expansão (transportes aéreos, por exemplo).
 
O Público, no seu editorial de hoje, diz que de 2008 até hoje as falências aumentaram 1400%. Nada diz, contudo, sobre o que se passou no outro prato da balança. A criação de empresas diminui o ritmo mas o saldo continua positivo (maior o número de empresas criadas que o número de empresas encerradas) e merece uma análise que ainda não vi feita (não digo que não exista). O fecho de uma grande empresa com centenas de pessoas lançadas no desemprego não é compensada por uma empresa criada, com 3 ou 4 pessoas, assim como a instalação em Portugal da Emirates, ou da Embraer, por exemplo, compensam muito mais que o fecho da mercearia da esquina e da tasca do sr Manel.
 
Então,
 
Por que será que o Público só refere um dos pratos da balança? Falta de seriedade? Achará, sinceramente, que não interessa para cacterizar a crise? Simples incompetência?
 
Como eu dizia há dias a um comentador destes temas, no FB, vice presidente da Associação de Estudantes da Universidade do Algarve que se referia às políticas pérfidas deste governo - é nas crises (e estamos numa crise, a portuguesa, dentro de outra crise, a europeia) que é preciso manter a cabeça fria e não alterar o rumo ao sabor dos resultados de curto prazo.
 
E o rumo (parece-me) não pode deixar de ser o que aponta à situação em que gastemos em função do que temos, do que criamos. O caminho é penoso, doloroso (empobrecer é sempre difícil...) podemos atenuar as dores mas não eliminá-las completamente.
 
Esconder isto das pessoas como se as "políticas de crescimento e emprego" fossem alternativas à austeridade é (penso) profundamente desonesto.
 
E é o que o Público anda a fazer...

Saturday, February 23, 2013

DEPOIS DO REPASTO, LOUREIRO ARROTA...

Loureiro dos Santos depois do jantar dos "preocupados" diz que as FA's, com os corte em perspetiva arriscam-se a não poder cumprir a sua missão de defesa da Pátria.
 
Mais uma vez o general Loureiro nos quer comer por lorpas, talvez pelos salamaleques que terá recebido dos seus pares durante o jantar de "generais e almirantes na reserva e reforma".
 
O senhor general não deveria julgar que o cidadão mais distraído imagina que com o presente orçamento, antes dos cortes, tem alguma remota hipótese de defender "a Pátria" contra, por exemplo, uma invasão espanhola. Nem com um orçamento 10 vezes maior...
 
O senhor general está marreco de saber que nem sequer é essa a missão das FA's de um pequeno país que vive paredes meias com um grande vizinho.
 
Esta questão foi bastamente discutida aquando da invasão de Goa: Salazar queria que na tropa portuguesa, após a invasão, apenas houvesse heróis ou mortos.
 
Vassalo e Silva rendeu-se após alguma resistência com mortos de parte a parte e cumpriu a sua missão. Como?
 
É que a missão das FA's não é necessariamente defender eficazmente o território contra a invasão inimiga (no caso de Goa uns 4.000 soldados mal armados contra, se bem me lembro, 20.000 indianos com blindados, marinha e aviação em quantidades confortáveis) mas garantir uma resistência inequívoca e clara que viabilize num tribunal internacional uma queixa contra o Estado agressor. Essa queixa não tem credibilidade se a invasão for "aceite", sem resistência. Não é preciso seguir o figurino idiota de resistir até à "última gota de sangue"; basta uma resistência clara e indiscutível, como a das NT em Goa.
 
Claro que há as demais missões de soberania como a defesa da zona económica exclusiva contra pesca ilegal, não contra a 6ª esquadra americana em trânsito para a sua "casa" no Mediterrâneo ou contra uma esquadra espanhola em manobras...
 
Portanto era interessante que o senhor general nos explicasse melhor que parte da "defesa da Pátria" ficava comprometida com o corte dos 200 milhões em vez de arrotar postas de pescada para o pagode pasmar com a segurança teórica do velho cabo de guerra.

ALDRABICES DO LOUREIRO



O senhor general Loureiro dos Santos, pessoa de que me habituei a louvar a moderação, ponderação, bom senso e, até onde posso avaliar, alguma sabedoria no modo de encarar o papel das FA's na sociedade.

Mas ontem o homem excedeu-se e, aproveitando estar de alforria, como militar reformado, atacou o Governo de forma canhestra e ... aldrabona.
 
Que disse sua excelência? Simplesmente esta aleivosia:
 
Assim como um General que não alcança os objetivos é demitido, o Governo tem que assumir a responsabilidade de ter falhado as suas metas e deve demitir-se.
  
Compreende-se: neste momento o Governo está na mó de baixo, a esquerda na mó de cima, o senhor general não podia perder a oportunidade de fazer pilhéria e faturar nos media, antes da jantarada do ranchinho dos sentados à mangedoura do OGE, como se lhes referia, e muito bem, o pai do Miguel Sousa Tavares.
 
Acontece que o senhor general está marreco de saber que estava a dizer uma bacorada: a história recente (e antiga) está cheia de exemplos de generais derrrotados ou que não conseguem vencer o seu IN, ou que deixam uma situação no terreno pior do que a que encontraram e não são demitidos, punidos, processados.Às vezes até são promovidos...
 
O nosso arquigeneral, o homem da prosápia e do pingalim (o Spinola), esteve na Guiné 5 anos a tentar ganhar a guerra (ou ao menos, sair numa situação airosa) e, afinal, cedeu ao IN toda a parte sul da Guiné permitindo (ou sendo obrigado...) que IN declarasse a independência com base nesse território "libertado", no que foi reconhecido por metade dos países com assento na ONU.
 
Essa cedência não lhe deu mais força no restante teatro de operações e, quando foi "rendido" por Bettencourt Rodrigues, até a nossa superioridade aérea o PAIGC tinha eliminado e estava a um passo de nos escorraçar da Guiné.
 
Spínola, entretanto promovido a general (era brigadeiro no início da sua "campanha") recebeu mais uma estrela, a quarta, e ocupou o cargo de vice chefe do estado maior general das FA's, cargo novinho em folha, criado especialmente para ele.
 
Mas não é só por cá que a coisa funciona assim, e não como o Loureiro afirma. Dois casos:
 
Rommel escovado que foi do norte de África, foi feito Marechal de Campo e recebeu um dos principais comandos militares do Reich - comandante da frente Oeste, responsável pela "muralha do Atlântico".
 
Douglas Mac Arthur, depois de os States terem sido apanhados de surpresa em Pearl Harbor, foi apanhado de surpresa nas Filipinas totalmente impreparadas para a invasão japonesa. Retirou com o rabo entre as penas mas não foi demitido e teve a oportunidade de ir subindo na hierarquia até general de 5 estrelas. Só caíu quando Truman, o Presidente das decisões difíceis (e acertadas...) o demitiu do comando chefe das forças ocidentais na Coreia (por "política independente" da do Presidente).
 
É muito feio o senhor General dizer aldabices convenientes à sua retórica do momento, confiante em que o pagode "come e cala" porque não percebe nada do assunto.

De que, pensará ele, só a tropa percebe...

Saturday, February 02, 2013

ACABAR COM OS RICOS, A TINETA DO COMUNISMO


A parangona sobre a entrevista de Américo Amorim vem ao encontro do que o meu saudoso amigo Eduardo Santos dizia: é preciso acabar com os pobres e não acabar com os ricos.

A principal razão do insucesso do comunismo na criação de riqueza foi o ênfase que foi posto desde o início em acabar com os ricos - uma vez atinjido esse "objetivo", toda a riqueza seria distribuída pelo povo consoante seu trabalho, mais tarde consoante as suas necessidades. O PCP, sem imaginação para ultrapassar a ortodoxia e sem coragem para mandar Cunhal às urtigas, mantém-se nesse caminho, firme e hirto, sem hesitações.
 
O desenho publicado no mural de José Pedro Namora no FB (reproduzido ao lado) com um capitalista/banqueiro, gordo e rodeado de sacos de dinheiro, a ser carregado por dois proletas famélicos que se esfalfam por apanhar a cenoura (o Euro, neste caso), é bem testemunho de que essa análise marxista de meados do século XIX continua a ser a "correta" para o PCP do século XXI.
Esta visão do capitalismo selvagem assente num exército de desempregados andrajosos e sem apoios de qualquer espécie, totalmente à mercê do capitalista que lhe rouba a "mais valia", bem retratada nos romances de Dickens, traduzia bem a realidade do início da revolução industrial, mas não tem nada que ver com o que se passa hoje.

O capitalismo soube adaptar-se (foi forçado a adaptar-se) para sobreviver às profecias do Marx e Lenine e continua de vento em popa não obstante os trabalhadores de hoje ganharem o suficiernte para terem casa própria, carro, comerem bifes todos os dias (a ponto de morrerem de enfartes e não de fome) e mandarem os filhos para a Universidade. E em Portugal, por muito que o PCP & Cia pintem uma imagem de fome, desgraça e tragédia, o capitalismo está longe de (poder) voltar ao que era nos tempos do Dickens.
 
Segundo a vulgata comunista, a apropriação coletiva dos instrumentos de produção conduziria à majoração da produção e da produtividade por os trabalhadores esterem a produzir para si próprios e não para o patrão. Essa tese ficou, manifestamente comprovada com a experiência socialista: efetivamente o trabalhador da UCP, da cooperativa, da empresa socialista não sente que esteja a trabalhar para si, antes pelo contrário. Sente que está a trabalhar para o Estado, a beneficiar a nomenklatura do Partido, que fica com tudo e lhe distribui migalhas.

Fica por saber como seria se o Estado socialista efetivamente fosse um Estado popular. Mas aí, estamos nitidamente no domínio da filosofia, da ciência das coisas etéreas...

Como bom "funcionário público" o trabalhador no "socialismo" vinga-se e faz o menos possível - e lá se vai a produção e a produtividade (e a qualidade...) para as urtigas.

A questão, como 70 anos de URSS e "mundo socialista" muito bem comprovam, a questão é que sem a possibilidade de um indivíduo enriquecer (pelo seu mérito, mas também pela sua "ratice" - ainda não temos o "homem novo"...) a criação de riqueza fica bloqueada, não desenvolve e o que há para distribuir não chega para que o nível de vida do povo vá além do que em países capitalistas não é mais que pobreza franciscana.
 
Mais uma vez a China é exemplar, desde que Deng, o pequeno Timoneiro, proclamou que enriquecer é glorioso e lançou as bases para uma saudável economia capitalista.

Portanto, amigos meus, deixemo-nos de tretas e procuremos criar condições para que mais empresas se sintam atraídas para operar em Portugal em vez de afugentarmos os empresários.

É que sem eles, não há empregos para ninguém!