Monday, June 29, 2009

A MORTE DO ARTISTA

E agora, uma badalhoca.

Um amigo conta ao outro o assalto que sofreu.

- Um gajo grandalhão encostou-me uma pistola à barriga e disse: o cu ou a vida!

- Porra! E tu?...

- Eu... morri, não dá para ver?!

BOM HUMOR ÀS 2 DA MATINA

Um funcionário público matava o tempo a apanhar moscas. A alturas tantas, apanhou uma que se debateu com inusitado vigor e que lhe disse:

- Eu sou o génio das moscas e concedo-te três desejos.

- Baril! Quero ir já para uma praia tropical, longe destes incompetentes todos!

PLIM!!!!! E o funcionário viu-se numa praia tropical de areias brancas e um mar de águas límpidas e tépidas, mesmo a seus pés.

- Agora quero um monte de gajas boas, todas descascadas a servir o rapaz!

PLIM!!!!! E o tipo viu-se rodeado por um monte de raparigas lindas e jovens, bronzeadas e em biquinis reduzidos, a apaparicá-lo, prontas para tudo.

- Carago, ganda vida! Como terceiro desejo quero, até ao fim da minha vida, não ter nada, nada, nada que fazer!

PLIM!!!! E o funcionário público viu-se de volta à repartição donde partira pouco antes.

. . . . . . . .

Agora uma verídica.

Dois amigos de longa data, colegas de empresa, de copos e de vacanças, estavam a construir casas de férias na Caparica, uma ao lado da outra. Davam-se como Deus e os anjos, eles e as famílias também.

Até que um deles se enrolou com a mulher do outro e o dito acabou por descobrir. Não houve dramas: o corneado limitou-se a levar a mulher a casa do outro e a dizer-lhe que, face ao ocorrido, já não a queria e entregava-a a ele.

E assim foi: um livrou-se da mulher e o outro ficou com as duas, com quem ainda hoje vive - cada uma em sua casa, mas sabendo uma da outra.

Não soube é se os dois amigos continuaram a dar-se como Deus e os anjos...

Sunday, June 28, 2009

O BOM, O MAU E O VILÃO - IMPEC!

video

Veja e oiça este arranjo muito giro da banda sonora do filme O Bom , o Mau e o Vilão.

NUNO CARDOSO APANHA 3 ANOS DE CHOÇA!

Clique na imagem, que talvez aumente

Com uns anos de atraso e com pena suspensa, o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto foi condenado a três anos de cadeia por uma das muitas medidas que tomou em conúbio com os patrões do futebol local, no tempo em que essa era a prática dominante naquela desgraçada cidade.

Prática que Fernando Gomes, o tipo do capachinho, levou a tais extremos que quase não se distinguia o interesse da cidade dos interesses dos clubes, com destaque para os do F C Porto.

Realmente o Porto será sempre uma cidade periférica e provinciana enquanto um bando de desequilibrados teimar em identificar um clube de futebol com a cidade e a cidade com um clube de futebol, ambos em guerra unilateral com Lisboa e com todos os que furarem aquela identidade.

Rui Rio é portuense e vejam a guerra que o lobby do F C Porto lhe move desde a primeira hora.

É claro que Lisboa, sede de um poder exercido por pessoal de todo o país, com destaque para os do norte (Porto incluído), nem se apercebe de tal guerra excepto quando ela é verbalizada e reafirmada por doentes que tentam colmatar as suas debilidades pessoais com um exacerbado espírito de pertença a alguma coisa mais sólida que eles, que os ancore e lhes dê as referências de que carecem - bairrismo, clubismo e todos os outros ismos, mais ou menos espúrios que por aí abundam.

(porra, isto é que análise, carago!)

Vejam o que diz o pianista portista e portuense Pedro Burmester:

O FC Porto é a minha única fé e religião. Aquilo que o clube desperta em mim é sempre igual: é sempre forte e intenso.

Digam-me que este gajo é normal, digam-me, please!

Clique aqui e esqueça esta malta merdosa que, às vezes, até nos faz esquecer que o Rui Veloso, o Carlos Tê, o Sérgio Godinho e tantos, tantos outros são tripeiros de gema e até serão adeptos do F C Porto sem que o bairrismo e clubismo se tenham tornado a parte dominante das suas personalidades.

O COPEJO DO ATUM

Clique nas imagens para ampliar

Uma imagem que me ficou da escola, um misto de aventura, coragem, adrenalina, etc e tal, foi a do copejo do atum (veja um texto interessante aqui).

O texto e as fotos (a preto e branco - era o que se usava no "meu tempo" e tinha a vantagem de não mostrar a água tinta de sangue que o texto referia) e o texto descreviam o trabalho das armações que armadilhavam o trajecto dos cardumes, apanhavam-nos num paralelipípedo de redes presas aos barcos.

Os barcos iam fechando o cerco, o fundo da rede ia subindo até que restava uma piscina com poucos metros de profundidade onde se concentravam os atuns, que nadavam velozmente rente aos barcos, donde os pescadores os arpoavam e iam paulatinamente puxando para dentro.

A parte da adrenalina vinha quando alguns pescadores mais jovens e mais destemidos (os atuns maiores tinham, naqueles tempos, à volta de um metro e meio - e mais) saltavam para a água, nadavam entre os peixões e chegavam a cavalgá-los, num verdadeiro rodeo que terminava, por via de regra, com o peixão a ser esfaqueado e puxado para dentro dos barcos.

Isto não tinha nada de mais até porque o intuito da arte era mesmo a captura dos atuns, não para os meter, vivos, em aquários ou outra estravagância moderna, mas para os matar, esquartejar, preparar, enlatar ou enviar para o mercado do peixe, inteiros ou em postas.

O destino final era, claro!, a frigideira ou o tacho.

Normalito, portanto, e nunca reparei que algum colega de carteira ficasse impressionado com a cena...

O que o Zé Antº Saraiva nos traz na Tabu, suplemento do SOL, deste sábado, sob o título de A matança dos inocentes, não é o copejo do atum mas a matança do golfinho, nas ilhas Faroe, onde aqueles mamíferos proliferam e constituem um valente bico de obra para os pescadores.

Parece que é um costume local a rapaziada, uma vez por ano, fazer uma razia entre os simpáticos e vorazes mamíferos, e é contra esse hábito que o Zé Antº Saraiva perora, em duas páginas de texto e imagem, nas quais predomina o tom vermelho da sangueira dos bichos.

Por qualquer motivo que me ultrapassa completamente, o golfinho é considerado por espíritos mais sofisticados e amantes dos bichinhos, como uma espécie de primo do homem, deixado na água pelo combóio implacavelmente apressado da evolução, primo que nos devemos abster de comer ou de meter em circos - excepto nos que forem geridos pelos tais espíritos sofisticados que tratam os bichinhos como sócios ou coisa parecida. Até lhes pagam um salário em peixes, açucar e festinhas que deixam os nossos primos tão felizes e contentes que insistem em voltar a actuar para o público para lhes ser renovado o salário tão generoso.

Em resumo: o Zé Antº Saraiva considera os dinamarqueses uns selvagens em cujo toutiço não se atenuou o espírito vicking de pirata sanguinário: para além de gozarem com o profeta têm a audácia de matar golfinhos. Grandes malandros!!!

Espero que, ao menos, a rapaziada coma a chicha dos bichos pois parece que os bifes de golfinho que se come na costa norte da Madeira (à socapa, claro) são muito, muito saborosos!

Vai uma febra?

Wednesday, June 24, 2009

Cartas de cá - espécies...

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Paulo Varela continua a encantar-me com as suas descrições de quadros da vida da Índia.

Agora são os resultados da expansão dos subúrbios das cidades e o derrube de árvores e empurra os animais para junto dos homens de quem perdem o medo e ganham o gosto (gosto no sentido mais amplo, que o digam as tais "viúvas do tigre"...).

Valham-nos as raposas urbanas, que sempre são mais maneirinhas que um tigre...

Friday, June 19, 2009

MANIFESTO ANTI PORTAS A PROPÓSITO DA MORTE DE CARLOS CANDAL

Mão não muito amiga fez-me chegar este manifesto anti-Portas, publicado por Carlos Candal durante uma campanha eleitoral no distrito de Aveiro, em que Portas e Pacheco Pereira participaram.

Quando tive notícia da morte de Carlos Candal procurei afanosamente na net o dito manifesto, a coisa mais saliente que o bronco advogado produziu enquanto por cá andou. Debalde o fiz.

Hoje recebo-o por mail de um bacano que me conhece muito bem mas que assina por com pseudónimo deixando-me deserto por perceber quem é o gajo.

Este manifesto não corresponde ao que eu me lembrava dele: um texto muito mais curto e incisivo, terminando com o sacramental "Morra Portas, morra! PIM!!!!".

Por isso, publico-o com reservas.

BREVE MANIFESTO ANTI-PORTAS EM PORTUGUÊS SUAVE "Real Senhor ia passando … Encostado à bananeira, diz o preto para a preta: está bonita a brincadeira."

1. Estava eu "posto em sossego" (*) – aprestando o barquito da família para umas passeatas na ria – quando soube que vinham albergar em Aveiro nada menos que 2-intelectuais-2 de Lisboa, apostados em trocar a missanga de meia-dúzia de refervidas ideias por um açafate cheio de marfim eleitoral deste Distrito.

De pronto apostado em estragar-lhes o negócio, ainda ponderei então a conveniência de dar um salto algarvio à Praia dos Tomates – para um tonificante estágio "à la minuta" junto da elite bem-pensante e vegetariana da Capital em férias.

Todavia depressa desisti desse passeio para o Sul – confiado em que a singela funda-de-David, que sempre me acompanha, bastaria para atingir e abater essas aves de arribação.

Não é que não goste de pássaros. Gosto. Mas detesto os cucos políticos – que usurpam e se instalam com à-vontade nos ninhos feitos por outros companheiros (ia a escrever 'camaradas' – expressão regional caída em desuso, mas recuperável !).

2. Deixando os eufemismos, a verdade é que venho lutando desde há muitos anos (frustadamente embora) contra o latrocínio institucional de que a região de Aveiro vem sendo vítima: designadamente, tiraram-nos o Centro Tecnológico da Cerâmica; o Centro de Desportos Náuticos foi também para Coimbra; o discreto porto da Figueira da Foz vem sendo privilegiado em relação ao porto-de-mar de Aveiro; a nossa Universidade só começou a receber dotações decentes depois de saturada a Universidade do Minho; as questões da bacia do Vouga são tratadas na Hidráulica do Mondego; a direcção dos Serviçoa de Segurança Social de Aveiro foi transferida para Coimbra; os nossos Serviços de Saúde foram degradados para sub-regionais; a Agricultura do Distrito passou a ser dirigida pela Lusa Atenas e por Braga (!); e a supervisão da Educação da região foi repartida entre Porto e a dita Coimbra.

3. Só nos faltava agora mais essa: passarmos doravante a ser representados no Parlamento por dois intelectuais da Capital !

Era o cúmulo passarem os Deputados por Aveiro a ser gente de fora – 'estrangeiros' para aqui impontados por Lisboa como 'comissários políticos para zona subdesenvolvida' ou 'tutores de indígenas carecidos de enquadramento'.

Tinha que reagir e reagi !

4. Na verdade, o Distrito de Aveiro sempre foi terra de franco acolhimento para quem vem de fora – para aqui trabalhar e viver, valorizando a região (que se torna também sua).

Aliás, esse é um dos segredos do nosso crescimento e desenvolvimento.

É uma das características da nossa identidade: somos gente aberta e hospitaleira, tolerante e liberal, civilizada, moderna, culta e progressiva, todavia, até por isso, nunca tolerámos que nos impontassem mentores !

5. Disposto a barrar a promoção (à nossa custa) a tais intrusos, procurei apurar quem realmente sejam.

6. Quanto ao Dr. Pacheco Pereira, foi-me fácil saber que, antes e depois do "25 de Abril" foi comunista radical – daqueles que (aos gritos de "nem mais um soldado para as colónias") impediram designadamente que Portugal pudesse ter evitado a guerra civil em Timor (e a subsequente invasão indonésia – com os dramas e horrores tão sobejamente conhecidos).

Com sólida formação marxista-lenilista, o Dr. Pacheco Pereira tem vários livros publicados sobre o movimento operário e os conflitos sociais em Portugal no início do século.

Constou-me ter agora no prelo um longo escrito sobre as motivações íntimas que o terão levado a renegar o comunismo – opção ideológica que (a manter-se) não lhe teria permitido 'fazer carreira' no PSD, como é evidente …

Todavia, segundo notícias de certo semanário, o Dr. Pacheco Pereira recusa o jogo de equipa que a social democracia pressupõe: ditadorzinho, não quer na campanha eleitoral em curso a companhia do Dr. Gilbeto Madail – que limita às vulgares tarefas de motorista: guiá-lo pelo Distrito (que mal conhece).

Realmente, o Dr. Pacheco Pereira ainda carece de alguma reciclagem democrática !

7. Quanto ao Dr. Portas, esfalfei-me a correr bibliotecas e alfarrabistas – à procura dos livros que tivesse dado à luz, donde pudesse inferir qual seja afinal a corrente de pensamento que o norteia. Baldadamente. De facto, o Dr. Paulo Portas apenas publicou um 'folheto de cordel' (que me custou 750$00) sobre os malefícios da integração do nosso país na Comunidade Europeia – opúsculo sem qualquer novidade em relação aos numerosos bilhetes-postais que vem subscrevendo no seu jornal (sem erros ortográficos, mas com pouco fôlego – valha a verdade).

Digamos que tais escritos estão para o 'ensaio' como as quadras populares para o 'poema' – na forma e no conteúdo.

Trata-se de breves crónicas fúteis (embora não tanto como as do MEC, que aliás lhe leva a palma no sentido de humor e imaginação). Espremidas – pingam apenas cinco ou seis ideias que não chegam sequer para conformar o anarco-conservadorismo que se arroga ser a sua actual matriz ideológica.

8. Certo é porém ter sido com essas 'quadras soltas' que o Dr. Portas concorreu aos jogos florais da política recente – ganhando (por 'menção honrosa') a viagem turística ao círculo eleitoral de Aveiro, que o Partido Popular oferecia como prémio para o melhor trabalho apresentado por amadores sobre o tema do 'antieuropeismo primário'.

Tenho-me esforçado por lhes estragar tal passeio – com algum êxito.

9. Julgavam o Dr. Portas e o enfadado Pacheco Pereira (o outro excursionista) que as respectivas candidaturas a deputado por Aveiro eram 'favas contadas'.

Não nos conhecendo, supunham que os aveirenses ('provincianos' como nos chamam) ficariam enlevados e até agradecidos pela sorte (grande) de passarmos a ser representados no Parlamento por 'lisboetas de tão alto gabarito' (a expressão não é minha, evidentemente).

Terão ficado surpreendidos pelo 'impedimento' que, logo após a 1.ª anunciação, eu próprio (parente muito chegado da noiva) entendi opor firmemente ao casamento-de-conveniência que pretendiam contrair com a minha querida região de Aveiro (num escandaloso golpe-de-baú eleitoral – para usar linguagem de telenovela).

Como consequência imediata, eles – que tencionavam 'casar por procuração' (que é como quem diz sem-sequer-cá-pôr-os-pés) – tiveram que se dar ao incómodo inesperado de interromper as regaladas férias que gozavam e vir mesmo mostrar-nos os seus dotes.

Estraguei-lhes o arranjinho !

10. O primeiro a comparecer foi o Dr. Portas.

Chegou de fato novo e ideias velhas.

E instalou-se num hotel da região – escolhido pela mâezinha (no Guia Michelin).

Desde então, quase não tem feito outra coisa senão passar a 'cassete' – que gravou contra a participação de Portugal na Comunidade Europeia.

Tão desenvolto como qualquer vendedor de banha-da-cobra, impinge, a quem se acerca, as suas críticas à integração (aliás com a mesma monotonia com que o Marco Paulo repete ter dois amores).

E confunde deliberadamente os erros crassos cometidos pelo cavaquismo (nas negociações internacionais e no desenvolvimento interno das políticas sectoriais da integração) com a própria integração – o que constitui uma desonestidade intelectual inaceitável.

Pior é quando reclama que seja submetida a referendo a nossa entrada na União Europeia – depois de já termos entrado (e … recebido os milhões e milhões que essa opção facultou aos incompetentes governos do PSD) !

Aliás o Portas não explica sequer que mirífica alternativa à comparticipação na CE teríamos podido escolher.

11. Confrontado com questões políticas mais comezinhas (como a regionalização e o tratamento de resíduos tóxicos), não tem opinião própria ou não sabe para que lado lhe convém cair – e refugia-se então na evasiva: reclama um plebiscito 'adequado'.

12. Fundamentalista e vaidoso, o Dr. Portas parece estar convencido de que não existe mais nenhum português inteligente e verdadeiramente patriota – além dele e do Dr. Manuel Monteiro.

Aliás o Portas tem o nosso povo em fraquíssima conta.

Não obstante, messias da restauração, reclama 'missionários' (sic) para o seu ridículo sebastianismo – sem revelar de que Alcácer Quibir pretende afinal a reconquista.

13. Inseguro, o jovem Portas sublima os seus problemas existenciais numa catarse de legitimidade duvidosa, exacerba as opiniões políticas que defende a um grau de intolerância que excede manifestamente o radicalismo aceitável de quem se move apenas por convicções arreigadas – tornando-se injusto, maledicente e agressivo.

Aliás, o frenesim que reveste a sua militância é bem um indício dessa terapêutica (praticada que foi, também, por 'chefes' cujos nomes a História registou – mal comparado …).

14. Politicamente, o Portas é um 'bluf' – produto acabado de certos meios intelectualoides da Capital, que funcionam em circuito fechado – por convites mútuos, elogios recíprocos e esquemas de sobrevivência imediata.

Entre muitos outros, fazem parte de tal 'entourage' o avinagrado Vasco Pulido Valente (avinagrado de vinagre, entenda-se) e a sua piedosa esposa, D. Constança Cunha e Sá – ambos comungando os chorudos ordenados que "O Independente" (assim cahamado) do Dr. Portas lhes paga pelas crónicas de mal-dizer que semanalmente ali escrivinham no cómodo formato A4.

Também o inefável Miguel Esteves Cardoso colabora no endeusamento do Portas, rebuscando a favor do patrão os trocadilhos que lhe deram notoriedade há mais de 20 anos quando era uma espécie de menino-prodígio da escrita.

Pena que tenha deixado de ser prodígio e se mantenha menino, pena que desperdice agora o seu inegável talento juvenil a produzir romances pornográficos – ainda que muito apreciados pelo crítico Henrique Monteiro que os reputa (o termo é adequado) como peças exemplares da literatura moderna.

15. O Portas é elitista. Mas simula demagogicamente interessar-se pelos problemas daqueles a quem, no seu ‘milieu’ é uso chamar 'as classes baixas' – como aconteceu recentemente na Bairrada, quando fingiu participar na vindima que gente simples e autêntica da terra levava a cabo (por castigo andando agora, há já várias noites, a pôr 'creme nívea' na sua mãozinha mimosa, nunca antes maltratada por qualquer alfaia agrícola).

16. O Portas é dissimulado: esconde da opinião pública parte da sua verdadeira identidade.

Concretamente, oculta que é monárquico – opção que, sendo embora legítima, tinha obrigação de revelar àqueles a quem pede o voto para deputado da República !

É a tal falta de transparência que critica – nos outros, claro …

17. O Portas é um democrata precário: por falta de formação ou informação, por carência de convicções ou por incoerência, rejeita a aplicabilidade universal da regra "um homem, um voto" verdadeiro axioma da Democracia.

Assim sendo, não me admiraria nada que o Dr. Portas resvalasse a curto prazo para a defesa de soluções autoritárias para a governação dos portugueses, que, (no seu entender) revelam "uma estranha tendência para o precipício".

18. Eleitoralmente, o Portas é desleal, vicia as regras do jogo.

Na verdade, tendo-se feito substituir formalmente na direcção d' "O Independente" (assim chamado), usa agora tal semanário como jornal-da-campanha privativo, aí publicitando escandalosamente os seus palpites e auto-elogios e atacando e denegrindo os adversários – com a cumplicidade na batota do respectivo 'conselho escolar' !

Porque não sou 'queixinhas', não vou lamentar-me nem reclamar contra tão anómalo procedimento junto da comissão-de-ética do Sindicato dos Jornalistas. junto da Alta Autoridade para a Comunicação Social ou mesmo junto da Comissão Nacional de Eleições.

Não vou sequer queixar-me à mãeziha do Dr. Paulo Portas.

Tão pouco protestarei junto do Dr. Nobre Guedes – tido por dono do jornal – até porque sei que anda absorvidíssimo por visitas diárias a feiras e mercados e pelas demais tarefas da sua própria 'candidatura a sanguessuga' (também pelo PP), sem que lhe reste tempo para se preocupar com subtilezas e ninharias éticas.

Aliás, provavelmente, não será especialista em 'deontologia profissional do jornalismo’.

Assim, sendo, remeto a preciação da chocante conduta do Dr. Portas e d' "O Independente" para a opinião pública e para os jornalistas Daniel Reis, Cáceres Monteiro, César Príncipe e José Carlos de Vasconcelos, tidos por profissionais honestos, competentes e livres (aliás como muitos outros).

Concretamente permito-me perguntar-lhes se acham que o comportamento daquele semanário e do Dr. Portas (que usa a apologia dos valores morais sociais) seja eticamente aceitáveis.

19. De facto, não é fácil ser-se coerente e sério na política.

20. Particularmente difícil é porém, 'fazer carreira política' em Portugal – sobretudo quando não se dispõe de apoio de qualquer dos 'lobies' que condicionam quase toda a nossa actividade pública.

Estou a referir-me à 'solidariedade corporativa' na promoção individual de que beneficiam os membros da Maçonaria, os confrades da Opus Dei, os agentes dos grupos económicos e – mais recentemente – os parceiros da comunidade 'gay'.

Tratando-se de organizações ou agregados que mantém intervenção (directa ou indirectamente) praticamente em todas as estruturas da nossa vida colectiva – também nos partidos políticos e na comunicação social.

Agindo concertada ou avulsamente, os membros de tais 'lobies' têm grande influência sobre muitas tomadas de posição de quem-de-direiro e sobre a formação da opinião pública.

Podem designadamente ajudar ao aparecimento de pretensos génios artísticos, 'heróis sociais' ou ídolos-de-pés-de-barro (como são muitos dos políticos de sucesso).

21. Por definição as interferências do género são discretas ou mesmo subliminares e passam geralmente desapercebidas aos cidadãos influenciáveis

Na verdade, quem é que, de manhã, ao acompanhar a torrada e o galão do dejejum com a leitura do 'Público', pondera que esse jornal tem dono – e que o editorialista Vicente Jorge Silva é capataz dos respectvos interesses (mesmo quando – agora instalado – escreve considerações que fazem lembrar os tempos remotos e diferentes em que foi considerado pelos situacionistas de então como um jovem rasca da 'geração de 60´) ?

E quem perceberá que está a ser condicionado na formação da sua opinião, quando escuta na rádio uma análise crítica – injustamente lisonjeira – da acção de um diplomata, do trabalho de um artista ou da capacidade de um político homossexual proferida por outro homossexual, se não souber que tal apreciação reporta afinal a solidariedade de pessoas da mesma minoria ?

22. A acção de todos ou alguns desses 'lobies' perpassa de facto os principais partidos – transversalmente.

E por vezes, é no espírito-de-corpo ou jogo de conveniências dos respectivos protagonistas que se encontra a explicação para surpreendentes convívios gastronómicos no 'Gambrinos' ou na província e para inesperados apoios ou solidariedades espúrias ocasionalmente detectáveis nos mais variados campos da nossa vida colectiva.

23. Republicano convicto, socialista humanista e democrata sem transigências, tenho feito o meu discreto percurso político-não-profissional apenas com a ajuda dos activistas locais do PS e firme apoio da gente bairrista da região de Aveiro – sem compromissos em relação a qualquer daquelas estruturas ou 'forças de pressão'.

Livre e independente como sempre, enfrento a presente conjuntura eleitoral com justificada confiança.

Estrela de 3.ª grandeza nos céus confinados do meu Distrito, nada me ofusca o brilho fugaz do citado Dr. Portas – cometa ocasional , que desaparecerá deste firmamento tão depressa como apareceu (e … sem deixar rasto).

Tão-pouco me perturba a dimensão aparente do Dr. Pacheco Pereira – lua nova doutras galáxias, que (perdido o fulgor militante que o marxismo-leninismo lhe emprestava) agora só é visível quando reflete a claridade frouxa dessa extensa nebulosa que se chama PSD.

24. Na minha terra, sou mais forte do que eles !

25. Na noite do próximo dia 1 de Outubro, espero pendurar no meu cinto de caça política as tais duas aves de arribação – espécies exóticas lisboetas pouco apreciadas na região cinegética de Aveiro: um garnisé-cantante e um pavão-de-monco-caído.

Esses troféus servirão de espantalho a futuras transmigrações para esta 'zona demarcada entre Douro e o Buçaco' !

Carlos Candal

(*) Expressão assaz erudita com que pretendo homenagear a linda Inês – em cujo assassinato participou certo avoengo do Dr. Pacheco Pereira, por sinal o único dos três sicários que (revelando uma ancestral habilidade) logrou escapar à vingança do D. Pedro, como aliás aquele ilustre político gosta de lembrar (v. "Classe Política Portuguesa" – 1991 – p. 330)

A PROPÓSITO DA QUEDA DO A-330 DA AIR FRANCE

As duas imagens que publico não têm nada que ver com a queda do avião da Air France mas com o avião de uma companhia brasileira que caíu sobre a Amazónia, há um ou dois anos, depois de ser atingido por um pequeno jacto.

As fotos foram sacadas do chip de memória de uma máquina digital de um passageiro que seguia no fatídico vôo.

As imagens não deixam de ser "esquisitas": na segunda há a silhueta de um passsageiro a ser "sugado" pelo buracão, sem que a passageira da fila da frente tenha o cabelo minimamente agitado pela ventania...

O texto que acompanha as fotos é o seguinte:

The two photos attached were apparently taken by one of the passengers in the aircraft, just after the collision and before the aircraft crashed. The photos were retrieved from the camera's memory stick. You will never get to see photos like this. In the first photo, there is a gaping hole in the fuselage through which you can see the tailplane and vertical fin of the aircraft. In the second photo, one of the passengers is being sucked out of the gaping hole.

These photos were found in a digital Casio Z750, amidst the remains in Serra do Cachimbo. Although the camera was destroyed, the Memory Stick was recovered. Investigating the serial number of the camera, the owner was identified as Paulo G. Muller, an actor of a theatre for children known in the outskirts of Porto Alegre .

It can be imagined that he was standing during the turbulence, he managed to take these photos, just seconds after the tail loss the aircraft plunged. So the camera was found near the cockpit. The structural stress probably ripped the engines away, diminishing the falling speed, protecting the electronic equipment but not unfortunately the victims. Paulo Muller leaves behind two daughters, Bruna and Beatriz.

Sunday, June 14, 2009

MEMÓRIAS DO MEU CATIVEIRO - DE CLARA ROJAS

Em primeiro lugar, se tencionam comprar o livro para se inteirarem daqueles pormenores picantes - quem é o pai da criança (era guerrilheiro? era polícia ou soldado? era um dos outros "colegas" de cativeiro? qual deles? como foi?), quem dormia com quem (em particular a Ingrid...), como foram as peixeiradas entre as duas senhoras, etc, etc - desengane-se.

Sobre o puto limita-se a dizer que teve uma experiência de que resultou a gravidez...

O livro dá uma imagem, um bocado desfocada (deve ser intencional) do que era a vida nos sucessivos acampamentos das FARC e das sucessivas caminhadas entre eles e pouco mais.

Pouco mais não: grande parte do livro serve à autora para exibir a sua religiosidade (a sujeita é de um beatismo absolutamente insuportável!), as suas crenças nas várias virgens lá do sítio, as várias rezas diárias do rosário (um rosário = três terços, para quem já não se lembre destas coisas), o quão perdoa aos que lhe fizeram mal, uma coisa absolutamente chata, chata, chata!

Insuportável a beata, raios a partam!

Alguns exemplos (só das últimas páginas):

"... o que me fez reparar que há muitos anjinhos que nos rodeiam com os seus bons pensamentos e a sua luz."

"...decidi deixar isso nas mãos de Deus, para que o todo-poderoso me ajude com esse pesado fardo, como já antes fez."

"...quando alguém nos faz mal, em vez de lhe desejarmos mal, há que o abençoar."

Thursday, June 11, 2009

ESCRITO NA PEDRA - VERY, VERY DEEP

Esta realmente foi totalmente inesperada, mas não deixa de parecer muito certa, pelo menos quando a idade que o geronte aparenta na fotografia não deixa lugar a outros amores, porventura mais sinceros:

NÃO HÁ AMOR MAIS SINCERO DO QUE O AMOR PELA COMIDA

E esta, hã?!...

Wednesday, June 10, 2009

CARTAS DE CÁ - Park Street

Clique na imagem para ampliar e ler

Leio quase sempre com agrado as crónicas do Paulo Varela Gomes, as Cartas de Cá, que a P2 do Público publica em dia da semana variável, ao que me pareceu. As cartas são escritas da Índia, provavelmente em Goa, e os temas são quase sempre (sempre?) sobre a Índia não se limitando a Goa, como é a presente crónica.

Depois de ter acabado a série de artigos do filósofo Desidério Murcho, esta é a crónica da P2 que mais me agrada.

A imagem que traça da chegada da monção é dum colorido e de um pormenor deveras notável, para o espaço que a crónica ocupa.

Poupo-vos tempo caso queiram ver alguma coisa sobre o pintor Giovanni Battista Piranesi (foto ao lado) é só clicar no nome.

As pinturas que encontrei na net são muitas de monumentos, edifícios, paisagem urbana. Deixo-vos aqui uma dessas paisagens urbanas; veja mais aqui .

Deixo-vos também alguns links de entrada, caso queiram ir ver o que há sobre o cemitério de Park Street, em Kolkata (Calcutá, à portuguesa), referido pelo Paulo Varela:

Fotos;

romance;

alguns detalhes;

imagens de Calcutta;

Mother Teresa Sarani (que deu o nome ao cemitério).

VIOLÊNCIA NA NOITE - ESPANCAMENTO OU EXECUÇÃO? NOVOS DADOS

No post Violencia na noite foram colocadas informações actuais sobre o ocorrido, nomeadamente sobre o agredido (que ficou em estado semi vegetativo) e o principal agressor, o herói que a foto mostra, acolitado por sete "colegas de ofício".

Clique no link e actualize a informação.

Entretanto, transcrevo a seguir o último comemtário sobre o assunto, feito por Fernando Guimarães:

Lembram, um rapaz foi espancado por uma gangue de 8 marginais em Sorocaba/Sp faz 1 ano, vejam notícias atuais?

Acusados deverão ir a júri popular daqui a um ano.Notícia publicada na edição de 29/04/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 6 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h. O prazo mínimo para os três acusados da agressão praticada contra o metalúrgico Fabiano Dias Rodrigues ir para júri popular é de um ano, caso não haja apresentação de recurso por parte dos advogados de defesa, informou ontem o juiz da Vara de Execuções Criminais de Sorocaba, Émerson Tadeu Pires de Camargo.

Outros cinco acusados estão livres. Enquanto a justiça não é feita, Fabiano luta ao lado de sua mãe, a aposentada Sebastiana Dias Rodrigues, de 60 anos, que tem sofrido e vem passando por muitas dificuldades financeiras.

"Enquanto meu filho fica aí deitado, os seus agressores continuam levando a vida sem problemas, mas eu não tenho sentimento de ódio por ninguém", afirma a mãe do rapaz que desabafou, dizendo que sequer os familiares dos acusados telefonaram para ela para saber como anda o seu filho.

"Se fosse o meu filho que tivesse feito o que fizeram, eu não iria pagar advogado não, ajudaria a família de quem o meu filho espancou".

Em 1º de junho, completará um ano do espancamento sofrido por Fabiano que completará em 11 de junho 25 anos de idade. Ele só responde o que perguntam a ele, não ordena ideias nem inicia uma conversa. Passa a maior parte do tempo deitado, assiste à tevê, mas não tem consciência do que acontece a sua volta.

"Meu filho está vegetando". Dona Sebastiana luta para manter a casa da família, que é simples. Vez ou outra conta com a solidariedade de pessoas que levam cesta básica à casa da aposentada, que fica na Árvore Grande.

O gabinete do vereador Tonão Silvano ajuda a mulher com remédio para o filho. Com uma renda de pouco mais de R$ 700, dona Sebastiana tem conhecimento das dívidas que ainda têm com a Unimed, com uma farmácia e outras do dia-a-dia, como a taxistas que fazem, pela metade do preço, o transporte de Fabiano até o médico, o neurologista André Simes, que vem acompanhando o rapaz.

Ela tem esperança em um milagre para que o filho volte a ser o que era antes de 1º de junho de 2008.

De acordo com o advogado de defesa de Fabiano, Márcio Roberto de Castilho Leme, o quadro clínico do rapaz não é de esperança. Ele foi violentamente espancado. As sequelas são graves, afirma.

Fabiano foi chutado por diversas vezes na cabeça, tendo, ainda, um dos agressores pulado mais de uma vez na cabeça do rapaz, que ficou caído no chão, em frente à casa noturna Soft Music Hall, cujas câmeras filmaram toda a cena do crime.

Fabiano ficou em coma por 27 dias, recebendo alta posteriormente. Fez tratamentos com terapeuta ocupacional, mas tem muita dificuldade de se manter em pé, de tomar banho, de se alimentar e até mesmo de fazer as necessidades fisiológicas sozinho.

A situação da família é tão difícil que até cartas foram escritas para os programas dos apresentadores de televisão Sílvio Santos e Gugu Liberato. Os remédios de pressão alta e colesterol que dona Sebastiana precisa tomar são caros e ela está passando sem medicamentos.

"Eu não tenho como fazer nada, pois preciso cuidar do meu filho, mas ao mesmo tempo tenho medo de morrer e deixá-lo aqui. Quem vai ter paciência de cuidar dele como eu cuido?", chora dona Sebastiana que tem muita fé em Deus que tudo será resolvido. Fabiano passa a maior parte do tempo deitado e não tem consciência do que acontece em sua volta.

O rapaz, que completará 25 anos dia 11/06/09 antes da agressão e agora. Era alegre, esbelto. Hoje é triste, obeso, sem vida social.

(Fernando Guimarães).

Daqui envio os meus agradecimentos ao Fernando Guimarães por nos manter ao corrente deste crime perfeitamente a sangue frio e com requintes de malvadez e violência.

10 DE JUNHO ALTERNATIVO - UM POUCO MAIS INSTITUCIONAL

Clique nas imagens para ampliar

O 10 de Junho alternativo, comemorado junto ao forte do Bom Sucesso, foi este ano o que costuma ser: a missa só para os madrugadores, muita espera, mais espera, ainda mais espera, alguns discursos "domésticos" outros de artistas convidados.

O artista principal costuma ser uma personalidade cuja ligação aos combatentes dificilmente se descortina: este ano coube a vez ao adiantado mental Braga da Cruz, nos outros anos o Paulo Teixeira Pinto, o Barão Horta te Costa, etc, etc.

Grama-se a cerimónia bi-religiosa de um padre mais o inevitável Iman da mesquita de Lisboa (como é que se chama o homem, carago? não me vem...).

Canta-se a Portuguesa (este anos "amparados" pela Cátia Guerreiro), depõem-se flores aos mortos, olha-se para o ar para ver passar a FAP, põe-se a cara à banda para que o ouvido em melhor estado apanhe a salva da corveta do outro lado do forte (dentro de água, claro), e depois é o almoço campal para quem comprou a senha ou trouxe farnel de casa.

Este ano (confesso!) cheguei a meio da coisa (pensava eu!) para ver se via o fim da cerimónia - nos outros anos chego cedinho, espero, espero, espero e desespero: ponho-me nas ditas muito antes do fim das actividades.

Na foto ao lado, o recém promovido Jaime Neves. O homem está reformado há um monte de anos, está a cair da tripeça mas... vai mais um par de estrelas para cima dos ombros! O Delgado não foi promovido a Marechal depois anos e anos a fazer tijolo? Pois então...

Este ano cheguei quase ao meio dia, nem um único discurso tinha sido proferido, de modo que me pisguei aí à uma da tarde, estava a mensagem do Cavaco a ser lida.

É verdade! O Presidente, enquanto distribuía medalhas em Sanatrém, honrou-nos com a sua palavra ainda que não com a sua presença. Fantástico!

Acho que a monumental vaia que o Soares apanhou, no primeiro ano em que se realizou esta comemoração, serviu de exemplo aos restantes. O mais que lá vi foi o Secretário de Estado (da Defesa e do Mar - será assim? da Defesa e dos antigos combatentes, etc).

Saindo mais cedo, perdi a alocução do meu antigo colega Henriques sobre o Condestável. Paciência, já estava farto...

Afinal, lendo o programa, vejo que o horário até foi cumprido - eu é que alinhei pelo programa dos anos anteriores...

De resto, a causa monárquica estava mal representada, só o sr D. Duarte (ao lado) mais o primo, D. Francisco van Uden, mas nada de representantes da causa monárquica, recentemente unificada sob a batuta do reformado de luxo, Paulo Teixeira Pinto.

Na foto vê-se ainda o general Bruno, à direita, de Torre e Espada ao pescoço.

As fotos não são grande espingarda porque não me credenciei e não quis ser escovado por indecente e má figura se tentasse aceder aos locais por onde os reporteres credenciados circulavam...

Enquanto pude circular pelos "espaços nobres", ainda localizei a inscrição no mármore com o nome do Zé Bação, na lista de mortos de 1965. Não o estou a ver muito agradado com a coisa, mas a inscrição pode fazer sossegar as consciências dos "médicos" (mérdicos...) que se recusaram a dar-lhe mais que aspirinas quando o hematoma, no seguimento do rebentamento da mina, lhe provocava dores de cabeça terríveis.

Bando de charlatães, para não dizer mesmo filhos de puta!

A ESCOLA...

Em Portugal é igualito, coño!

Tuesday, June 09, 2009

TIANANMEN - 20 ANOS DEPOIS...

Reveja o tipo dos sacos de supermercado (?) à frente da coluna de tanques aqui . Este foi o episódio que ficou na memória de toda a gente que acompanhou a revolta dos estudantes (recorde aqui) contra o regime de Pequim, esperando que o PCC caísse de maduro como o PCUS caíu de podre.

Não caíu.

Manteve o rumo traçado pelo Pequeno Timoneiro, mantendo as rédeas do poder firmemente nas mãos e comandando (viabilizando) um desenvolvimento económico e social que levou a China à posição em que está, a caminho de se tornar a 1ª economia mundial. Mais dez anitos e deve lá chegar. Veja mais aqui: Deng Xiaoping.

Teria sido melhor que o PCC se tivesse desmoronado ante a força da razão (?) dos revoltosos pela Liberdade? Foi melhor usar a força necessária para acabar com a revolta e evitar veleidades semelhantes nos tempos mais próximos?

Olhando para o que se passou na URSS e nos dez anos de pobreza, marasmo e estagnação entre a queda de Gorbatchov e o advento de Putin, é legítimo perguntar:

Teria sido melhor, para quem?

Monday, June 08, 2009

O CLUBE DOS MARCIANOS

Às vezes sinto-me completamente marciano. O que me vale é que, quase sempre penso que marcianos são os outros.

Serão mesmo?!

Num jantar, este fim de semana, fiquei siderado com duas pessoas que habitualmente me deixam siderado. Portanto, até aí, tudo normal.

Só que que desta vez a coisa foi muito para além do que eu consideraria simples marcianismo. Ora vejam:

Um dos convivas defendia com calor e ardor que estamos em plena decadência e que um dos sinais desses tempos decadentes é que vemos, por exemplo, artistas de cinema como presidentes, putas como deputadas (ou coisa que o valha), etc.

Defendia ele que para cargos políticos os candidatos teriam que ter algum tipo de filtragem para evitar que uns tipos desqualificados fossem eleitos para cargos de responsabilidade, para os quais não têm competência. E insistia em alta (e alterada) voz: vocês acham que um actor pode ser Presidente, mas eu acho que não podia ser e devia ser impedido de se candidatar. Insistia no exemplo do Reagan e alegava, a crédito da sua posição, que se um advogado não podia pilotar um avião, também um actor não podia ser Presidente (Governador, PM, etc).

Sobre os economistas, juristas, engenheiros e outras gentes desqualificadas não se falou - se calhar só os funcionários públicos com cursos na École Nationale d'Administration Publique seriam competentes para cargos de responsabilidade.

Será assim?

O outro, depois de perorar contra os palhaços (Durão Barroso, Pacheco Pereira, a "Leite Azedo" - Ferreira Leite, suponho, etc) e os ladrões (80% dos políticos, incluindo o Sócrates, que devia ser preso), depois de zurzir nos defensores do capitalismo neo liberal (euzinho...) e em tudo o que mexia, à despedida, conciliador, diz que isto está a mudar, tem mesmo que mudar, porque a civilização ocidental está a dar o berro, por culpa do Bush e companhia, que não conseguiu impedir que o comércio e a economia mundiais se estejam a passar para "o lado de lá".

O lado de lá era a China! Desgraçadamente já não deu para aprofundar, mas parece que o homem acha que os malandros dos americanos deveriam ter sabido manter a China no seu canto e, não o tendo conseguido, a civilização ocidental vai pelo cano abaixo.

Ambos são cultos, inteligentes e informados (conheço-os há mais de 40 anos) mas... há ali qualquer coisa que não funciona bem!

Até aqui só tinha ouvido, a uma senhora já muito entradota, uma opinião semelhante: que só pessoas com alguma cultura deveriam poder votar, para evitar que fossem votar sem fazerem a mínima ideia do que está em causa, sem perceberem o que lá vão fazer, etc. Claro que não explica como é que a coisa se processaria: um exame de cultura política? Uma entrevista com umapessoa culta, de confiança? ...?

Devo ser mesmo marciano, carago!!!

(e não é que existe um blog dos Marcianos?! Visite-os: os Marcianos .)

Sunday, June 07, 2009

O DISCURSO DO OBAMA NO CAIRO - E VIVA O BUSH!!!!!

O presidente Obama fez um belo discurso no Cairo que poderá ter sido o começo de alguma coisa, de uma melhor convivência entre os States e o mundo árabe. Para o mundo árabe moderado, entenda-se, pois para o "mundo árabe fundamentalista" o discurso do Obama são é mais que um amontoado de palavras de infiel (duplamente infiel...) que o vento há-le levar e que não hão-de evitar a sua destruição implacável sob a espada dos filhos dilectos de Allah.

Para os nossos intelectuais de esquerda (e não só, caraças! e não só) foi mais uma pérola de um político de eleição que, até agora, tem feito o que "eles" esperavam que fizesse.

A menina da foto ao lado, P2 do Público de hoje, (tão burrinha, benza-a Deus; mas ela é pequenina, ainda tem desculpa...) depois de despejar sobre nós a habitual descarga de cosmopolitismo (que mete um diálogo numa chat room com um colega em Cabul) e os panegíricos ao Obama, diz a alturas tantas:

"A estupidez é perigosa. Mais perigosa é a vontade de domar o Mundo. Bush é estúpido e quis domar o Mundo. Tudo o que Obama disse no Cairo é o contrário."

Será que é assim tão difícil perceber que Obama pode ser magnânimo, "compreensivo" e aberto porque alguém antes dele mostrou que a América se e quando fôr preciso sabe pôr as garras de forra e ir atrás dos que a ameaçam ou atacam, mesmo que se escondam nos confins do Afeganistão ou do Iraque (or else)?!

Deve ser mesmo difícil, 'tá visto...

Grande parte da credibilidade do Presidente Americano Obama na cena internacional vem directamente do modo como o anterior detentor do cargo lidou com uma agressão violenta ao coração da América, sem receio de começar duas guerras caras e desgastantes em muito pouco tempo (a primeira delas menos de um mês depois do ataque às torres gêmeas).

Mesmo que nem sempre o tenha feito com o melhor discernimento.

Teria Obama (ou o tonto Clintóris) feito melhor?

Duvido, e faço pouco!

DIA "D" - SE O RIDÍCULO MATASSE...

Na foto ao lado vêem-se dirigentes de vários países cujas tropas tomaram parte na invasão da Normandia, iniciada com uma série de desembarques extremamente mortíferos em 6 de Junho de 1944.

Como vem sendo habitual desde o fim da guerra, homenageiam-se, acima de tudo, os cerca de 20.000 soldados que nos primeiros dias ali morreram, sendo figuras centrais os veteranos ainda vivos, cada vez menos à medida que os anos passam.

E já passaram 65 anos.

Na foto identificam-se o Obama, o príncipe Carlos de Inglaterra, o primeiro ministro Gordon Brown, talvez o Sarkozy na extrema direita da foto. A foto parece normal, mas, de repente, há um pormenor que me salta à vista de maneira gritante: o peito fartamente medalhado que aparece na foto não é o de um veterano, mas o do príncipe Carlos de Inglaterra.

Ó diabo! não será mau gosto esta exibição medalhística, numa cerimónia em que as medalhas dos antigos combatentes assinalam, no mínimo, a sua presença na campanha que levou à vitória sobre a Alemanha, representando muitas vezes a participação em batalhas, ferimentos em combate, actos relevantes heróicos ou abnegados debaixo de fogo, etc, etc?! Ora as medalhas do príncipe, se bem que, certamente, conferidas regularmente (e, se calhar, com mérito) referem-se a actos de militar "de aviário", serviços distintos, comportamento exemplar, medalhas atribuídas por países estrangeiros, medalhas comemorativas, etc, etc, etc.

Não será de um mau gosto extremo o controverso príncipe aparecer nas comemorações do dia D com o peito coberto de medalhas "desse tipo"?

Certamente que sim, para além de o cobrir de ridículo...

Friday, June 05, 2009

CONFRARIA DA PUNHETA DE BACALHAU (E ESTA, HÃ?!)

Ouvindo a Antena 1, esta manhã, nem queria acreditar: foi criada e vai ser oficializada em Cacilhas a Confraria da Punheta de Bacalhau, pela mão (tinha mesmo de ser pela mão...) de Hernani Magalhães (veja no Público ).

A confraria já conta com 30 punheteiros.

Estou com uma certa curiosidade para ver qual será a farpela que irão escolher. Can you guess?...

Hernani Magalhães referiu que "A confraria não quer combater nada nem ninguém mas apenas afirmar a Punheta de Bacalhau como uma das marcas portuguesas, procurando preservar a gastronomia de elevada qualidade, sem preocupações estéticas".

Concluiu com um sonoro e vibrante:

"A punheta é do povo!"

Lindo!!!

Monday, June 01, 2009

ODE AO POETA ARY DOS SANTOS - Le Cul

video

Atenção: a ode não é o poema que se transcreve a seguir, que é do Ary dos Santos. Para ouvir a ode, declamada, clique no botão de PLAY, na imagem acima.

  • A cidade é um chão de palavras pisadas
  • a palavra criança a palavra segredo.
  • A cidade é um céu de palavras paradas
  • a palavra distância e a palavra medo.
  • A cidade é um saco um pulmão que respira
  • pela palavra água pela palavra brisa
  • A cidade é um poro um corpo que transpira
  • pela palavra sangue pela palavra ira.
  • A cidade tem praças de palavras abertas
  • como estátuas mandadas apear.
  • A cidade tem ruas de palavras desertas
  • como jardins mandados arrancar.
  • A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
  • A palavra silêncio é uma rosa chá.
  • Não há céu de palavras que a cidade não cubra
  • não há rua de sons que a palavra não corra
  • à procura da sombra de uma luz que não há.

Ouça este poema musicado e cantado pelo Zeca Afonso.

O Ary dos Santos foi um dos maiores poetas da segunda metade do século XX e a sua morte prematura impediu que a torrente impetuosa, expressiva e profundamente humana que brotava da sua pena continuasse a dar-nos poemas belíssimos como o que acima vos deixei.

O PODER DOS TRIBUNAIS RABÍNICOS - MUDOU ALGUMA COISA?

Relendo coisas antigas, se bem que recentemente transplantadas para o presente num processo que tenho vindo a empreender, dei de caras com um fait divers de que já não me lembrava: é sobre um tipo que esteve 32 (trinta e dois!) anos preso à ordem do conde Vintém (perdão, de um tribunal rabínico) por se ter recusado a dar o divórcio à sua cara metade (veja aqui ).

O caso, já quando foi noticiado, naquela altura, me pareceu uma aberração completa num país em que a democracia funciona (e bem) há décadas. Como é possível uma interferência tão grosseira e prepotente na vida de um cidadão, num país como Israel?

Na net só encontrei um link sobre o assunto, que apenas dá umas dicas sobre o ponto de vista da ortodoxia judaica: o Yehia foi um herói que se sacrificou para que a lei de Deus fosse cumprida e o matrimónio se mantivesse indissolúvel (como Deus, aparentemente, quer): clique aqui, e procure lá para o final do texto .

Alguém me dá alguma achega sobre isto?